Quatro DŽcadas na TV
Por Tr‡s das C‰meras
por Orestes Lucio Jardim Polverelli
Capitulo III
A terceira dŽcada: de 1973 a
1982
Iniciamos as grava�›es da novela com as 4 c‰meras de fabrica�‹o Fernseh P/B (preto e branco) e gravando e editando em VT Quad. T’nhamos
agora 3 VTs quadruplex e
edi�‹o eletr™nica . Os recursos de ‡udio, v’deo e ilumina�‹o facilitavam os
trabalhos alem de obtermos uma —tima qualidade. A equipe tŽcnica e opera�›es
foi muito bem escolhida por Flavio Moricone e
Argemiro Chagas. Trabalhei com
Flavio na TV Rio e com Argemiro na TV Continental.
Conseguimos por emprŽstimo com a Ag�ncia Nacional, uma unidade m—vel
(UM) com c‰meras Marconi P/B e Vt Quad
e ficamos na obriga�‹o de atender os pedidos de grava�‹o feitos pela ag�ncia. A
ag�ncia tambŽm possu’a um transmissor e receptor de microondas na faixa de 2 gigaHertz. Como um grande nœmero de eventos ocorriam em
Bras’lia, passamos a viajar bastante para l‡, e a UM tambŽm.
Era evidente a necessidade de uma unidade m—vel para grava�›es externas.
E ainda em 73 o MEC nos deu condi�›es de realizarmos uma licita�‹o para
aquisi�‹o dos equipamentos, e aproveitamos para entrarmos na era da TV
colorida.
Foi criado um grupo para o julgamento das propostas,
e a escolha foi uma OB van (unidade m—vel) compacta da EMI. Na unidade estavam instalados 2 c‰meras,
corte de v’deo, console de ‡udio, um VT Quad VR 1200
da Ampex e um gerador ÒblimpadoÓ
com tratamento para n‹o produzir ru’do. Simultaneamente adquirimos uma terceira
c‰mera que instalamos na OB van.
A c‰mera EMI tinha uma qualidade excepcional . A matriz de mixagem de
cores foi desenhada pelos laborat—rios da BBC de Londres. Isto ficou evidente
quando transmitimos os desfiles de escola de samba do carnaval de 1974 pela TV Tupi. As escolas desfilavam na avenida
Presidente Ant™nio Carlos. A Globo tambŽm transmitia usando c‰meras Fernseh. Os justes da c‰mera EMI eram bem complicados mas
t’nhamos monitora�‹o que facilitava os ajustes. O resultado foi que a Globo
pediu copia das grava�›es dos desfiles. A imagens eram muito melhor. O Sistema
de matriz da Fernseh era YRB (lumin‰ncia,
vermelho, azul) o da EMI era RGB criando uma pseudo lumin‰ncia.
Aos domingos transmit’amos jogos de futebol via Embratel para quem
quisesse.
A unidade m—vel tinha plataformas na frente e atras para a instala�‹o
das c‰meras o que permitiu a transmiss‹o da inaugura�‹o da ponte Rio Niter—i
acompanhando os carros da comitiva em movimento e ao vivo. Usamos a microondas da Ag�ncia Nacional
para transmitir da OB van a parte em movimento cuja recep�‹o foi feita do
ped‡gio em Niter—i e 2 microondas emprestadas pela Globo para mandar o sinal
recebido no ped‡gio para o SumarŽ.
Uma vez que a unidade m—vel tinha um vt para
grava�‹o passamos a produzir muitos programas com o ve’culo em movimento.
Principalmente depoimentos de cantores, um exemplo foi Maysa. O ve’culo, um Bedford da GM fabricado na Inglaterra, fez muitas viagens a
Bras’lia para transmiss‹o de cargo de presidentes, sauda�›es de fim de ano e
muitos outros eventos.
Em 1975 adquirimos mais uma ilha de edi�‹o Quad
com programa�‹o por endere�amento de c—digo de tempo, era o RA4000 da Ampex.

Ao lado, o programador e uma Ampex
VR1200C que fazia parte da nova ilha de edi�‹o.
Aconteceu um fato interessante. Logo na primeira vez que se tentou
editar verificamos que a m‡quina gravadora n‹o editava.
Foi quando o editor Paulo Cerqueira mostrou para mim que quando voc�
atuava simultaneamente o bot‹o de play e record a m‡quina
continuava em play. Coloquei um
pequeno relay para produzir um atraso de alguns milissegundos entre o
acionamento de play e record quando da utiliza�‹o do
programador.
Em 1973, a
Funda�‹o Centro Brasileiro de TV Educativa , recebeu a concess‹o do canal 2.
Fizemos o projeto tŽcnico para aprova�‹o do Dentel, Departamento Nacional de
Telecomunica�›es, e partimos para a licita�‹o. Foi solicitado que as propostas
fossem para fornecimento Òchaves na m‹oÓ ideia de Ronaldo Nordi,
Diretor Executivo. Somente a Thomson apresentou uma proposta completa. Ela
estava montando para a aeron‡utica sistemas de radar no sistema ÒturnkeyÓ, chaves na m‹o, e o nosso projeto era minœsculo em
rela�‹o a esses. Ai surgiu um empasse.
A TV Bandeirantes, que ia implantar o canal 7 do Rio, queria montar seus
transmissores junto ˆs nossas instala�›es. A cess‹o do terreno e edif’cio do
antigo canal 2 n‹o permitia loca�‹o do local. O MinistŽrio da Educa�‹o, MEC,
determinou que solucion‡ssemos o problema. Ap—s viagens a S‹o Paulo, ficou
decidido que far’amos um contrato de loca�‹o por 15 anos e as despesas extras
seriam descontadas com aluguel.
Lembramos a dire�‹o da Bandeirante que era necess‡rio um novo decreto
presidencial permitindo a TVE fazer a loca�‹o. Eles afirmaram que isto n‹o era
problema. Constru’ram mais um andar
em balan�o para a instala�›es dos transmissores e pagaram as despesas com os
acrŽscimos da torre. Poucos dias
antes da inaugura�‹o do canal 7 eles conseguiram o novo decreto de cess‹o que
permitia a TVE fazer loca�›es. A
divis‹o das despesas de manuten�‹o do local, foram sempre uma queda de bra�os.
Eles usavam nossa casa de for�a, e gastavam mais energia que a TVE. A seguran�a
e a limpeza tambŽm era por conta da Funda�‹o e eles n‹o concordavam com os
valores. Anos depois eles n‹o
queriam concordar que todas as obras eram de propriedade da TVE.
Em 1975, come�aram as transmiss›es do canal 2 e depois de muita luta
com o Dentel e ap—s uma licen�a de tr�s meses, conseguimos, fato inŽdito, uma
licen�a por um ano em car‡ter experimental, pois o MinistŽrio das comunica�›es
n‹o dava a licen�a para
funcionamento normal. Um ano depois,
consegui com o novo diretor do Dentel fazer a aceita�‹o dos transmissores e foi
dada a licen�a para funcionamento do canal 2.
Os transmissores
da Thomson eram muito bons e a imagem dava banho nas outras emissoras. Come�amos a ter problemas com as
microondas devido ˆ descargas elŽtricas produzida por raios. Resolvi ent‹o calcular um refletor
passivo para o SumarŽ. Armando,
chefe dos transmissores e equipe confeccionaram com tela de galinheiro e alum’nio
o passivo, que apesar de progn—sticos negativos de alguns engenheiros que nos
visitaram durante a fabrica�‹o, funcionou muito bem. Ao lado, foto das
microondas apontando para o passivo colocado a 75 metros no alto da torre. Fato interessante Ž que a TV Rio, a
Continental e a Globo tinham problemas de linha de vista e a TVE n‹o ficou
atr‡s. As microondas tinham que
ficar na torre. A Continental teve
que construir outra torre para receber o sinal do estœdio.
Para receber o sinal do estœdio tivemos que usar um edif’cio ao lado do
telecentro para instalar as microondas e colocar as
microondas nos 75 metro de altura da torre do SumarŽ.
A Thomson montou
o nosso Controle Mestre TŽcnico, CMT, e o Controle Mestre Operacional, CMO, este
ultimo direcionava ‡udio e v’deo para os transmissores. O CMT tinha uma matriz de direcionamento
de ‡udio e v’deo com 20 entradas e 20 sa’das, podendo mandar e receber sinais
para os estœdios, vts, Embratel e SumarŽ.
Ao lado os racks os
sistemas de comunica�‹o, os remotos das microondas a matriz ‡udio-follow-v’deo e outros equipamentos.
A ‡rea que foi utilizada para o mestre era para estocagem de cen‡rios no
2 andar. Foram feitas duas lajes criando dois espa�os. Um onde foi montado o
Mestre sobre um piso falso e o outro para instala�‹o do setor de pesquisa.
Fizemos muitos
programas a cores dentre eles o Fantasminha Pluft. TambŽm fizemos grava�›es de comerciais
para produtoras a serem veiculados na tv comercial.
Dava para faturar alguma coisa. Ao lado, mesa de corte e efeitos de v’deo
adquirida para entre outras coisas, grava�‹o de comerciais.
Em 1976 nosso carro de externas passou a gravar o S’tio do Picapau Amarelo em uma coprodu�‹o com a TV Globo.
As edi�ōes de VT tambŽm eram feitas na
TVE. Mais tarde foi comprado um VT quad port‡til para
esse programa.
Ao lado, o Ampex VR 3000,
considerado port‡til. Pesava mais de 15 quilos com a bateria. A vantagem era a
qualidade de imagens.
Em 76 foi comprado o primeiro gerador de caracteres. Fabricado pela Chiron
e ocupava um rack inteiro e tinha uma quantidade imensa de circuitos integrados.
Dois drives de floppy disk de 8 polegadas com
capacidade de menos de 1 megabyte


1976 foi o ano
das c‰meras de v’deo a cores port‡til.
A TVE comprou uma TK76 de fabrica�‹o RCA. Us‡vamos para grava�‹o um
videocassete u-matic 3800 port‡til. A edi�‹o dos u-matic eram feitas em uma ilha com Sony VO-2850, foto ao
lado.
Em 76 fui pela primeira vez a um show de equipamentos promovido pela
NAB, National Association of Broadcasters, realizado em
Chicago. Na Žpoca o show era bem fraco, com poucos expositores.
Os equipamentos eram todos PAL-M e muitos adaptados e o funcionamento
muitas vezes prec‡rio. Os
operadores n‹o eram bem treinados e os ajustes com erro de fase ocorriam com
frequ�ncia e prejudicavam a qualidade final das imagens.
Ainda em 76 foi iniciado o projeto Conquista, que dava continuidade ao
Jo‹o da Silva (primeira telenovela educativa brasileira). Resolveram filmar em
35 mil’metros a cores. Ap—s muitos rolos de filme o diretor do programa morreu
filmando uma cena. Ficou decidido
alugar uma unidade m—vel a cores da TV Gazeta. A nossa unidade m—vel estava empenhada
com o S’tio do Picapau Amarelo.
Em 1978 fui convidado pela Thomson para participar
do show de equipamentos de tv em Montreux na Su’�a. Quando cheguei em Paris, no aeroporto
Charles De Gaulle foi uma corrida para n‹o perder a conex‹o. O pessoal do
aeroporto me levou por caminhos especiais para andar mais r‡pido. Chegando a Genebra, chovia muito e
ninguŽm esperava por mim. Eu tinha levado poucos d—lares, menos de quinhentos,
por isto troquei apenas $100 d—lares em francos su’�os. Tentei me informar como chegar em
Montreux que ficava a uns 80 km de dist‰ncia. Era complicado. Eu tinha que
pegar um taxi para a esta�‹o de trem, seguir atŽ Montreux e pegar outro
taxi. Eu estava muito cansado. Pedi
informa�›es a um chofer de taxi em quanto ficava a corrida atŽ Montreux. Ele me informou que ficava em cerca de
$50 d—lares americanos convertidos para francos. Resolvi ir de taxi direto para
o hotel. O Palace Ž o melhor hotel, e aonde ocorreria o show. Tinha uma reserva
e fui bem recebido. Dormi um pouco e depois sai para procurar o pessoal da Thomson. N‹o encontrei, mas em outro hotel
consegui falar com o pessoal da Fernseh que me pagou
um jantar. No dia seguinte descobri que a Thomson cobria todos os gasto no
Palace hotel. No show vi muitos equipamentos interessantes, era muito superior
ao de Chicago. Dias depois o
motorista da 
Thomson em um Citršen DS19
veio me buscar para levar ao aeroporto. Eu reclamei que ele estava atrasado, e
ele disse que tudo estava certo. Pegou a auto estrada que fica no alto dos
morros baixou ao m‡ximo a suspen�‹o do carro e a mais de 180 km hora chegou em
Genebra em 30 minutos.
De 1976 a 1977 o Estœdio 3 ficou ˆ disposi�‹o da Globo ap—s um inc�ndio
naquela emissora. Passamos a usar mais o Estœdio 2.
Nesta Žpoca houve uma serie de inc�ndios em emissoras de TV. O IRB, Instituto de Resseguros do
Brasil, consultou o MinistŽrio das Comunica�›es que designou como peritos o
diretor da TV Nacional de Bras’lia e eu.
Fiz os laudos da TV Globo, TV Silvio Santos e TV Radio Clube de Recife.
Os laudos deram muito trabalho, tirei muitas fotos, mas deu um bom
dinheiro. Eu aprendi muita coisa
sobre salvados de inc�ndio e o laudo da Silvio Santos exigiu muitas viagens a
S‹o Paulo.
Em 1980 foram adquiridas c‰meras a cores da RCA para
os estœdios e externa. Era uma
varia�‹o da TK-76. A TK-760 foi uma
c‰mera que deu muito trabalho.
Tinha problemas de sincroniza�‹o, genlock. TambŽm foram comprados VTs Ampex AVR-2 que tambŽm
apresentaram muitos problemas. Isso
acontecia principalmente por causa das modifica�›es para PAL-M j‡ mencionado
anteriormente.
Nos anos 70, aumentou muito o nœmero de equipes de opera�‹o e t’nhamos
muitas horas de trabalho, o que gerava horas extras que a dire�‹o n‹o queria
pagar por duvidar das informa�›es.
Eram mais de duzentos operadores, por isto resolvi que t’nhamos que
criar um programa para c‡lculo de horas extras no computador central da
TVE. Para alimenta�‹o de dados, foram
criados relat—rios para supervisores, coordenadores e v‡rios operadores
informando horas trabalhadas e as ocorr�ncias durante os eventos. T’nhamos um supervisor para consolidar
os dados entre os relat—rios, tabelas de escala�‹o e informa�›es da ‡rea
produ�‹o gerando os dados para a produ�‹o de cart›es perfurados que alimentavam
o computador IBM/3. Foi um
trabalho em conjunto entre o pessoal de inform‡tica, do departamento de pessoal
e minha equipe para criar as informa�›es para criar o algoritmo que gerava os
relat—rios finais de horas extras.
Nos anos oitenta, com novo computador central, ganhamos terminais
remotos de v’deo, que com novo algoritmo, facilitou a entrada de dados e
melhorou a precis‹o das informa�›es.
Em 1982, a pedido da presid�ncia da Funda�‹o fiz um projeto
para a transmiss‹o atravŽs dos transmissores do DETEL, Departamento de
Telecomunica�›es do Estado do Rio, que cobriam a zona oeste do Rio com o Canal
32. Consegui convencer ao MinistŽrio
das Comunica�›es que uma retransmissora de TV Educativa deveria ter permiss‹o
para fazer transmiss‹o n‹o simult‰nea, ou seja, transmitir um programa
educativo diferenciado em uma repetidora pois n‹o se tratava de programas de Tv comercial. E
assim conseguimos do DETEL e do DENTEL autoriza�‹o para transmiss›es n‹o simult‰neas
no canal 32. Uma programa�‹o
especial exibida em um novo Controle Mestre montado para esse fim, transmitia
via um 2¼ canal de microondas para o SumarŽ que retransmitia via um canal de UHF
para o transmissor do canal 32 instalado no morro do Medanha.
No final de 82 comprei meu primeiro micro, um TK 2000 e comecei a
programar em Basic.
TambŽm consegui um compat’vel Apple II na TVE