Quatro Dcadas na TV
Por Trs das Cmeras
por Orestes Lucio Jardim Polverelli
Captulo IV
Em 1983, comecei a
utilizar bastante os micro computadores. Meu primeiro micro, um TK 2000,
foi comprado em 1982. Fiz um programa em Basic tipo matriz para listar compras
de equipamentos e peas com quantidades e valores e finalmente o valor total
previsto. Pouco mais tarde passei a utilizar o VisiCalc,
a primeira matriz (planilha) para microcomputadores. Em 86 fiz um programa para dar o
resultado do bolo que o Alexandre Fradkin criou para
os funcionrios apostarem nos resultados para a copa deste ano. Levava duas horas para dar o resultado
no micro, mas era bem mais rpido e preciso que o calculo a mo.
Em 1984, o
Presidente da TVE resolveu reativar o programa do canal 32, s que agora,
instalando receptores de TV nas escolas da zona oeste do Rio de Janeiro. Chamei
o Belmiro para fazer o levantamento da recepo de sinal do canal 32 nas
escolas da zona oeste. Das cento e
tantas escolas da regio conseguimos receber o sinal em quase 100. O sinal era bem fraco e na maioria das escolas exigiria a
instalao de uma antena Yagi de 12 elementos e um pr-amplificador de radio
frequncia (booster). Aproveitava-se a oportunidade para
escolher com a diretora da escola a sala em que seria instalada a TV. Belmiro colocava no relatrio detalhes
para a futura instalao dos aparelhos de TV. Mediante o levantamento, foram feitas
duas licitaes, uma para a compra dos receptores de TVs e outra para o servio
de instalao. Minha surpresa foram
os preos dos aparelhos receptores de TV.
Pela quantidade, mais de 100 aparelhos, compareceram vrios fabricantes
dos aparelhos. Os preos eram superiores ao preos mdios das lojas de varejo. Fiz uma reunio com os representantes
das fabricas para saber o que ocorria. A informao era porque os preos
refletiam a inflao, pois o pagamento seria feito 30 dias apos a entrega e a
fabricao levaria mais de dois meses, ou seja, o preo estava projetado para 4
meses das propostas. Consegui com a
administrao, que fosse feito pagamento antecipado e com isto o preo desceu
abaixo da media das lojas. Venceu a licitao a Philips com o TV de 21
polegadas.

Em 84 conseguimos a primeira compra de equipamentos U-matic e em 86 foi completada a mudana de quadruplex para U-matic e
BVH.
Foram adquiridos 4 BVH 1100 e 2 BVH 2000 e 3 BVH porttil, VTs que usavam fita de 1 polegada e qualidade superior aos Quads.
Recebemos da Sony muitos U-matic caseiros que
serviam para a decupagem dos programas. Usvamos como
monitor de udio e vdeo receptores de 14 polegadas. Os equipamentos eram todos PAL-M. Os 2 BVH 2000 formaram a ilha 2 com um
programador de edio e mesa de corte e efeitos PAL-M, SEG 2000 da Sony. Duas
BVH 1100 ficavam no mestre, para reproduo e insero de crditos
Outras duas BVH formaram a ilha de edio 3. Nas ilhas estavam
instalados U-matic com TBC. Uma BVH porttil era
usada no estdio 3 e as outras duas
para as externas.

As ilhas de corte seco passaram a usar 2 VTs
U-matic
VO 5800, um como gravador comandando a edio e outro como
reprodutor. Dois monitores de 9
polegadas PAL-M serviam para a monitorao, tudo montado em um pequeno
rack. Para monitorao de udio,
foi construdo pelas nossas oficinas uma caixa para montagem em rack.
Graas ao governo Sarney, conseguimos todos estes equipamentos. Fizemos
um projeto de reequipamento da TVE do Maranho que estava sendo incorporada a
Fundao. O reequipamento da TVE do Maranho abrangia todas as reas, menos a
iluminao de estdio. Para
iluminao de estdio, apenas complementao de spots pois eles tinham dimmers
e suspenso de luminrias adequados.
Foram adquiridos cmeras, videocassete U-matic,
mesas de corte e programador de intervalos. Para a instalao deslocamos uma equipe
do Rio de Janeiro. A TVE do Maranho tinha somente um estdio. Montamos todos os equipamentos em racks.
Antes eram montados em mesas e armrios de madeira. Fizemos um novo Controle
Mestre Tcnico e um novo Controle Operacional. Compramos tanto para o Rio como
para o Maranho, geradores de caracteres Dubner 20K. Foi uma revoluo! Montamos tambm uma
ilha de edio com BVE e mesa de corte e efeitos especiais. Tivemos que dar
treinamento ao pessoal tcnico e operacional. Fiz varias viagens at So Lus.
Costumava pegar um voo da VASP que saia a meia noite e chegava as trs da
manh. Era um voo direto.
Nesta dcada, com a criao do SINTED e depois o SINRED, eu e equipe
fizemos manuteno em vrios transmissores de outras TVEs
como em Vitoria no Espirito Santo e Porto Alegre no Rio Grande do Sul, alm de
montarmos retransmissoras em vrios estados. Estvamos bem equipados de instrumentos
de teste. Compramos para o Maranho um novo transmissor e antenas.

No final de 1997 compramos um micro TK 3000 que vinha com um programa
integrado de planilha, banco de dados e editor de texto. Tinha 500 kBytes de memoria e floppy disk
de 120 kBits. O banco de dados armazenava 30 campos.
Tudo integrado como se fosse um s programa. Voc colocava todo o programa na
memoria RAM e ainda tinha espao para muitos dados. Transferia-se com facilidade da planilha
e ou do banco de dados para e editor de texto. Tnhamos todos os funcionrios
cadastrados o que facilitava a escalao para viagens e em ocasies de greves, localizar
equipes prximas para buscarmos. No cadastro tinha entre outros campos, funo,
conta bancaria, identidade, etc. S a partir de 1990 compramos PCs.
A inflao era galopante e a compra de peas importadas e equipamentos
exigia uma ginastica nas planilhas do computador . Em 91 fechar uma carta de
credito era dificlimo, pois o dlar subia dia a dia. Voc fazia uma previso na planilha para
uma inflao de 90 dias pois as
verbas repassadas eram em moeda nacional, que ate mudava de nome.
1991 e 92 foram anos dificlimos para se trabalhar na TVE. Voc pode imaginar o que devia acontecer
no governo Collor e com os dirigentes designados pelo Governo Federal.
Voltando a 1988... Adquirimos nossa primeira ilha grfica! Um Sistema da Pinnacle
que integrava uma mesa de efeitos, captura de imagens e produo de grficos
3D. O computador usava como sistema
operacional Dos 3.3. Disco rgido
de 90 Megabites dividido em 3 partilhamentos
pois o DOS no suportava mais de 33 Megabites para
gerenciar os discos rgidos. A
memoria RAM ficava em vrias placas e era o mais caro. Foi uma grande mudana
nas aberturas da TVE. Fazer uma
animao em grficos 3D levava horas. A formao de cada quadro, dependendo da
complexidade, numero de polgonos, durava minutos. Por exemplo: se para um
quadro a formao levasse 2 minutos ento 1 segundo de animao levaria 1 hora
para se completar. O computador
ficava a noite toda fazendo a animao.
Depois usvamos uma BVH para a gravao quadro a quadro em fita magntica.
Em 1981 e 82 trabalhei tambm na Provarejo,
uma produtora da Mesbla que usava equipamentos Bosch Fernseh. Usava outro tipo de VT, o BCN 51, um
helicoidal segmentado do tipo parecido com o segmentado das Quad,
usando fitas de 1 polegada.
Trabalhar em um segundo emprego e ainda em uma produtora de comerciais
era estafante. No tinha hora para ser chamado. Muitas vezes era chamado de madrugada. O
estdio da produtora tinha todos os equipamentos necessrios para a produo de
comerciais que eram finalmente copiados para uma maquina Quad
para veiculao nas emissoras de TV.
Produzia comercias no s para a Mesbla como vdeos para muitas
produtoras de comerciais. Eventualmente gravava programas. Tinha tambm uma cmera
e um VT porttil para gravaes externas.
Aqui vale algumas explicaes sobre alguns tipos de VTRs.
Eu mencionei os Quads que usavam fitas de 2
polegadas, os U-Matics usando cassete box de ¾
de polegadas, os BVH, BCN usando fitas de 1 polegada e mais afrente vou falar
em DVs e Dvcam, usando
cassetes de ¼ de polegada.
As Quads que foram inventadas pela Ampex eram
maquinas com uma largura de banda de aproximadamente 4 MHz. Reproduzia 480 linhas de TV. Os U-Matics
ficavam em 2,8 MHz ou 320 linhas. J as BVH e BCN eram maquinas de mais de 480
linhas. As DVs
e Dvcam j usam outro tipo de gravao. So maquinas que
usam um processo digital de gravao com compresso de vdeo. Os U-Matic tinham uma qualidade do tipo dos VHS.
A TVE tambm comprou alguns outros tipos de maquinas para poder trocar
ou reproduzir programas de terceiros. Maquinas SVHS e Hi8 que ficavam nas 400
linhas de TV. Conheci muitos outros tipos de maquinas de VT, mas no trabalhei
com elas.
Uma coisa interessante. Nos inicio dos anos 80 a Ampex
publicou um longo artigo provando a inviabilidade de utilizao de maquinas
digitais. Li muitos artigos da Scientific America e cheguei a
concluso que ia chegar o dia dos VTs digitais. Hoje voc coloca em um pequeno cassete 3
horas de vdeo e udio com qualidade melhor que as Quads.